quinta-feira, fevereiro 09, 2006

O dinheiro não tem Pátria

Não. Não estou contra grupos empresariais portugueses fortes, dinâmicos e lucrativos.

Não. Não tenho nada de especial contra o Norte, contra as suas gentes trabalhadoras e empresários dinâmicos.

Não. Não defendo o centralismo asfixiante de Lisboa, nem a manutenção da AP ineficiente e do poder público clientelar...
Mas...

Não sou tolerante com empresários que clamem do liberalismo no pagamento de impostos e mamem de subsídios, apoios, isenções, parcerias e privilégios do monstro Estado.

Não condescendo com empresários que fazem manifestos pedindo ao Governo os proteja da concorrência, para que possam continuar a ser ineficientes e trabalho-intensivos. Que assim que podem, vendem, por um bom preço.

Sei o suficiente para elogiar aqueles que cumprem as regras de mercado, que não receiam concorrer, que inovam, que apostam em actividades de elevado valor acrescentado, que formam e valorizam os seus colaboradores. Felizmente há alguns assim.

Também por isso devo e posso criticar os empresários do oportunismo, da mão de obra barata, dos salários em atraso, do lobby político, do proteccionismo e do subsídio, da formação "fantasma", da produção à peça, do folclore, do bairrismo, do revanchismo...

A verdade é que este é um país atomizado de PME´s cujo objectivo principal é esconder lucros, funcionando por cacique. De empresários que vivem mal com a concorrência e acomularam fortuna em quase-monopólios, à custa de mão-de-obra intensiva, sem preocupação com a imagem e qualidade. Empresários que são comerciantes, intermediários, importadores....

Portugal gosta de comprar tudo feito, porque não gosta do que se faz cá...

Ou será que Portugal não gosta de Portugal?