O dinheiro não tem Pátria
Não. Não estou contra grupos empresariais portugueses fortes, dinâmicos e lucrativos.
Não. Não tenho nada de especial contra o Norte, contra as suas gentes trabalhadoras e empresários dinâmicos.
Não. Não defendo o centralismo asfixiante de Lisboa, nem a manutenção da AP ineficiente e do poder público clientelar...
Mas...
Não sou tolerante com empresários que clamem do liberalismo no pagamento de impostos e mamem de subsídios, apoios, isenções, parcerias e privilégios do monstro Estado.
Não condescendo com empresários que fazem manifestos pedindo ao Governo os proteja da concorrência, para que possam continuar a ser ineficientes e trabalho-intensivos. Que assim que podem, vendem, por um bom preço.
Sei o suficiente para elogiar aqueles que cumprem as regras de mercado, que não receiam concorrer, que inovam, que apostam em actividades de elevado valor acrescentado, que formam e valorizam os seus colaboradores. Felizmente há alguns assim.
Também por isso devo e posso criticar os empresários do oportunismo, da mão de obra barata, dos salários em atraso, do lobby político, do proteccionismo e do subsídio, da formação "fantasma", da produção à peça, do folclore, do bairrismo, do revanchismo...
A verdade é que este é um país atomizado de PME´s cujo objectivo principal é esconder lucros, funcionando por cacique. De empresários que vivem mal com a concorrência e acomularam fortuna em quase-monopólios, à custa de mão-de-obra intensiva, sem preocupação com a imagem e qualidade. Empresários que são comerciantes, intermediários, importadores....
Portugal gosta de comprar tudo feito, porque não gosta do que se faz cá...
Ou será que Portugal não gosta de Portugal?

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