sábado, março 18, 2006

Enquanto se gosta

Escrever é um acto de prazer e de intervenção.
É o âmago que sai.
São os valores e a humanidade ou desumanidade da alma.
Ainda que as minhas palavras possam interpretar-se como ferindo, não sairei ferido com palavras que me visem (como ninguém deveria sair) pois nelas apenas vejo, com profunda nitidez, um reflexo no espelho, da alienação e menoridade a que uns teimam em chamar vida, e muitos medem como sucesso...

A mim poderão sempre dizer tudo...
Noutro lugar...

sexta-feira, março 10, 2006

Comentai e bebei todos

Poderá a moderação ser tarefa de cada um e a liberdade medida pelos seus valores?


Aconselho a leitura no "Abrupto " do post "DEZ LEIS DO ABRUPTO SOBRE OS DEBATES NA BLOGOSFERA" de 02-03-06

quinta-feira, março 09, 2006

A energia do Disparadigmático

Apesar de sentir a ausência da "energia" por cá...
Tenho a dizer que ontem batemos o record de visitas....

(e agora deixem-me ir ler "políticas sociais", seus marrões)

quarta-feira, março 08, 2006

Natália, a Mulher


Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

(Auto-retrato - Natália Correia)

Bocage

Tenho que admitir que não apreciava o Romantismo dos versos de Bocage.
Os seus Sonetos, com que o/a "Angustias" nos presenteia, são verdadeiramente disparadigmáticos e dignos de serem "postados"...
Só o farei, no entanto, quando assentarmos de vez os critérios de publicação de comentários... ou assim que "Angustias" resolver assinar o seu comentário.

(só vos digo que tenho de reler Bocage)

Censuras, Liberdades, Cobardias

Os blogs são uma experiência recente para mim.

Vejo-lhes um lado prático, social; um lado pessoal, de realização; um lado lúdico...

Não os concebo como lugar de agressões linguísticas cobardes, inúteis e despropositadas...

No entanto, a verdade é que muitos pretendem descarregar o veneno, frustrações, ou invalores que carregam e jogar às liberdades de expressão, sob a capa do anonimato...

Não pretendi que este espaço seguisse esse caminho. Como tal acabei por optar por "filtrar" os comentários não minimamente identificados. Embora mantenha a opinião de que esta é uma medida proporcional, aliás comum a quase todos estes espaços, quero deixar à vossa consideração três opções:

-publicar todos os comentários;
-publicar todos os comentários identificados;
-publicar apenas os comentários identificados e não ofensivos.

Que acham?

terça-feira, março 07, 2006

Whatever...whatever...whatever

We care a lot about disasters, fires, floods and killer bees
We care a lot about the NASA shuttle falling in the sea
We care a lot about starvation and the food that Live Aid bought
We care a lot about disease, baby Rock, Hudson, rock, yeah!

We care a lot about the gamblers and the pushers and the geeks

We care a lot about the crack and smack and whack that hits the street
We care a lot about the welfare of all the boys and girls
We care a lot about you people cause we're out to save the world

YEAH!

And it's a dirty job but someone's gotta do it

We care a lot about the army navy air force and marines

We care a lot about the SF, NY and LAPD
We care a lot about you people, about your guns
about the wars you're fighting gee that looks like fun

We care a lot about the Garbage Pail Kids, they never lie

We care a lot about Transformers cause there's more than meets the eye

We care a lot about the little things, the bigger things we top

We care a lot about you people yeah you bet we care a lot,

YEAH!

Well, its a dirty job but someone's gotta do it

And it's a dirty song but someone's gotta sing it

(We care a lot - Faith no More)


Who really cares about anything...

segunda-feira, março 06, 2006

A propósito das certezas que eu não quero

(...) Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga "vem por aqui"!
a minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
só sei que não vou por aí!

(José Régio - Cântico Negro)

Tudo depende de tudo

Todos nós dizemos grandes verdades. Principalmente quando citamos nomes sonantes. Mas as verdades têm contextos que fazem delas aquilo que são. Quando puxamos essas verdades cheias de intenções e significado, para nosso argumento, apenas estamos a vestir uma roupa que não é nossa. Embora nos fique a matar.

Eu cito bastante. Não o faço por pedagogia, por doutrina, nem sequer por concordar. Faço-o como ponto de partida, não como ponto de chegada.

Temo que o facto de encontrarmos sempre uma frase, dita por alguém incontestável, para sustentarmos a nossa causa, o nosso silêncio ou o nosso comportamento, apenas contribua para nos desresponsabilizarmos de ser pessoas melhores, de pensar pela própria cabeça e tornarmo-nos seres passivos, acríticos e sem dor.

Para mim nada, ou quase, depende só de nós. Nem aquilo que pensamos, nem aquilo que temos, nem aquilo que sentimos é senão o somatório, a diferença, a divisão e a multiplicação proporcionadas pela nossa vivência em sociedade; dos limites, das forças e da envolvente. Como dizer a um sem-abrigo, a um doente terminal, a um deficiente, a milhões de pessoas que morrem de fome: amigo, "tudo depende só de ti"?

Retiro três ideias principais:

- É importante acreditarmos na nossa capacidade. Não para esperar, para receber ou conformar, mas para agir, para procurar, para fazer e para exigir.

- Não devemos acreditar que porque nos alivia saber que tudo o que temos é fruto do nosso mérito, aqueles que se queixam, que sofrem, que minguam, estão assim porque o querem ou escolhem. Não. Estão assim porque todos nós o queremos, o permitimos ou ignoramos.

- Quando cremos que tudo o que cada um faz ou tem depende apenas de si, estamos, no limite, a idealizar uma sociedade asocial, um somatório individualista, onde a circunstância existe apenas para servir os nossos propósitos individuais. Sei que esse é o caminho. Mas é perigoso.

domingo, março 05, 2006

Que Deus venha

Quero que o Céu caia
Que os carros voem
Que o coração saia
E os tambores soem

Quero que os Anjos casem
E que Deus venha
Quero que as águas vazem
Os olhos de manha

Quero o Sol que deitas
E o som nas mantas
Quero as mãos perfeitas
E os frutos que plantas

Quero apagar-te a Alma
Como te apegaste na Vida
Quero roubar-te a calma
E negar-te guarida

Quero deitar-me contigo
E levantar-me com ela
Quero sentir o abrigo
E apagar a vela...

Quero comer palavras
E sonhar com roupas
Quero o pão que lavras
E o ódio que poupas

Quero sentir nada
E amar de tudo ter
Dormir com a madrugada
E ajoelhar ao seu poder

Quero contabilizar o beijo
E facturar o som
Quero hipotecar o desejo
E comprar o Dom

Quero saber onde trais
E onde sorris à Verdade
Quero saber onde vais
O que fazes, Abade

Quero viver de frases feitas
E de conselhos de sempre
Quero linhas direitas
E cabeça de trempe

Quero telefonar-te ontem
E mentir-te amanhã
Quero que os cavalos montem
Buracos na maçã

Quero que os patos pintem
O Céu de mentira
Quero que os galos gritem
Nova que fira

Quero a Vida pelos teus olhos
E a Morte pelo teu bolso

Quero andar pelas tuas antas
E comer pelo teu garfo

Quero ser como tu:
Tão verdadeiro.

Quero que as sombras se libertem
Do que os corpos
Sujos
Prometem

Quero carregar-te de mim
E descarregar-me de ti

Quero esgotar as minhas forças em causas perdidas
e os meus ideais em pessoas iluminadas pelo escuro

Quero desencontrar-me de ti

Ó fome de ser
Ó dilúvio de sentir
Ó guerra sem coroa
Ó Vida

27/02/06

(Desperdício – LCRM)

I choose to live

Every man dies. Not every man really lives ..

Sir Wallace